Indústria Farmacêutica Ética?

Há alguns anos ministrava aula de Marketing Farmacêutico em semanas da saúde em algumas universidades para alunos de graduação em farmácia, na época era assim dividido o mercado farmacêutico: Over the counter (OTC), que depois passou a ser chamado de MIP (medicamento isento de prescrição), medicamentos hospitalares, GUEUTAS/ BO’s (bom para “otários”) e os Éticos, denominados assim por terem sua demanda gerada através da prescrição médica. Depois de tantos escândalos de médicos sendo comprados para prescreverem uma marca em detrimento de outra, de tanta maracutaia travestida de estudo científico não mais consegui ministrar essa apresentação.

A hipocrisia nem de longe para por aí, as ditas empresas “Éticas”, que cobram de seus propagandistas que façam extensos cursos de compliance e no final, o propagandista e vendedor de produto farmacêutico, só está habilitado a trabalhar e levar o nome da empresa caso tenha tirado nota 10 no quesito ética corporativa é justamente o que esbarra com o contraste mais brutal, talvez o mais sórdido, a perseguição dos trabalhadores que se organizaram em sindicatos para cobrar que as empresas paguem o que devem aos trabalhadores e que não excedam em cobranças e horários o que cada trabalhador deve fazer, pois é, isso mesmo, a maioria das empresas “éticas” não aplicam com seus funcionários o que vendem para a sociedade e exemplos não faltam como o do companheiro Luiz Cláudio (Lula) do Rio de Janeiro e o companheiro Fernando Oliveira de Sergipe, contudo, em ambos os exemplos podemos contar com a justiça que, nestes e em tantos outros, lhes deram ganho de causa.

A justiça do trabalho é a que coloca os poderosos no banco dos réus diante de trabalhadores e não por menos a direita brasileira quer acabar com ela, em nome da austeridade nas contas públicas? Claro que não! Para que o trabalhador fique ainda mais refém do poder econômico dos patrões.

Companheiros Luiz Cláudio e Fernando Oliveira, exemplos de perseverança e de coragem, vocês representam o que existe de mais nobre em ser sindicalista, lutar pelos direitos dos oprimidos, ser a voz dos amordaçados, o braço forte dos acorrentados. A vitória nos tribunais é motivo de comemoração de cada propagandista e vendedor de produtos farmacêuticos do Brasil.

 

Alexsandro Diniz

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