Mercado de trabalho mostrou sinais de recuperação entre junho e setembro, afirma IPEA

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta terça-feira (8) um estudo que mostra uma recuperação do emprego em diversos setores da economia desde julho, quando houve flexibilização, no Brasil, de algumas medidas de prevenção à Covid-19.

Em seis setores da economia (agricultura, indústria, construção, comércio, serviços para empresas e administração pública) as taxas de crescimento líquido de emprego de julho de 2020 chegaram a ultrapassar as de julho de 2019.

Segundo o estudo, o mercado de trabalho como um todo mostrou sinais de recuperação entre os meses de junho e setembro de 2020 revertendo, em parte, uma forte queda do nível de emprego de março a junho, quando estavam em vigor medidas mais restritivas de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Foram analisados registros administrativos de admissões e desligamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), pedidos do seguro-desemprego da Secretaria de Trabalho e de abertura de empresas a partir do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de maio a outubro deste ano.

Os dados do Caged apontam sinais de que os efeitos da pandemia ainda se faziam sentir na evolução do emprego formal em diversos setores no mês de maio de 2020. Entretanto, esses efeitos parecem ir dando lugar a um padrão de retomada com o passar do tempo, apresentando sinais de recuperação bem mais nítidos em setembro.

Segundo o estudo, os dados positivos do Caged podem estar relacionados à “existência de custos de demissão e a vasta aplicação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do governo federal, que procurou conter as demissões também entre empregados formais”.

Importante ressaltar, entretanto, que o estudo não se baseou apenas no Caged, conforme já mencionado. O uso da PNAD Contínua, permitiu apurar a existência de outros vínculos empregatícios que não os formais, confirmando essa tendência de retomada, “sugerindo que o emprego informal seguiu padrão similar ou, no caso de divergência, esta não foi suficiente para eliminar os resultados positivos no segmento formal”.

A nota divulgada faz também um alerta: “Embora os saldos entre admissões e desligamentos ainda permaneçam em patamares positivos, a estabilidade em questão vista em conjunto com a retomada das contaminações pelo vírus, pode constituir alerta para a possibilidade de interrupção no processo de retomada do emprego”.

 

Leia aqui o estudo

Fonte:  Mundo Sindical

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