Inflação pesa mais para os mais pobres, mas ricos já sentem a pressão

A alta da inflação oficial do governo, o IPCA, que acelerou 0,86% em outubro – impulsionada pelo aumento de preços dos alimentos e dos transportes –, continua pesando no bolso da parcela de menor renda da população, mas já incomoda os mais ricos. É o que aponta um estudo divulgado, nesta quarta-feira (11/11), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Isso porque, se as famílias de maior renda vinham conseguindo lidar bem com a alta dos alimentos, agora sentem, sobretudo, o reajuste nos preços dos transportes. Só as passagens aéreas, que vinham em queda devido à pandemia de covid-19, subiram 39,8% em outubro com a retomada dos movimentos nos aeroportos. Os combustíveis também avançaram 0,9% no mês.

Na ponta inversa da pirâmide, das famílias com renda até R$ 1.650,50 por mês, que destinam a maior parcela do orçamento para os alimentos, o Ipea calcula que a inflação chegou a 0,98% em outubro. De acordo com o levantamento, 61% dessa taxa refletem a alta da comida, sobretudo de arroz (13,4%), batata (17%), tomate (18,7%), óleo de soja (17,4%) e carnes (4,3%).

Como os alimentos vêm subindo há algum tempo, os mais pobres tinham sofrido com uma inflação também de 0,98% em setembro, segundo a série histórica do Ipea. Chama a atenção nos resultados de outubro o avanço da inflação da população mais rica, que havia marcado 0,29% em setembro e acelerou para 0,82% em outubro.

 

Acumulados

A inflação acumulada neste ano e nos últimos 12 meses continua afetando, sobretudo, os mais pobres, punidos pela alta dos alimentos. Sentem uma inflação de 3,5% no ano e de 5,3% no acumulado dos últimos 12 meses, mais do que o dobro das taxas dos mais ricos. O Ipea levantou que, de janeiro a outubro, o arroz ficou 47,6% mais caro; o feijão, 59,5%; o leite, 29,5%; o óleo de soja, 77,7%; e o frango, 9,2%.

Já as famílias mais ricas vêm sendo beneficiadas pela redução dos preços de serviços como transporte por aplicativo (-22,7%), seguro de automóvel (-9,9%), gasolina (-3,3%), hospedagem (-8,4%) e pré-escola (-1,7%), que caíram no acumulado do ano por conta da desaceleração econômica e do isolamento social imposto pela pandemia de covid-19. As passagens aéreas, por exemplo, ainda registram uma deflação de -37,3% em 2020, mesmo com a alta de outubro. A inflação para os mais bem aquinhoados é de 1,0% no acumulado deste ano e de 2,5% nos últimos 12 meses.

 

Fonte: Correio Braziliense

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